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Rinovírus avança no ES e já é responsável por 65% dos casos de síndrome gripal

Foto: Divulgação

O Espírito Santo registra um avanço expressivo de casos de síndrome gripal causados pelo rinovírus — agente viral frequentemente associado a resfriados leves, mas que tem se destacado como o principal responsável por infecções respiratórias no estado nas últimas semanas. Segundo o mais recente boletim da Secretaria de Estado da Saúde (Sesa), o vírus já responde por 65% das amostras positivas para vírus respiratórios analisadas no período entre os dias 13 de julho e 3 de agosto.

De acordo com os dados divulgados, o Laboratório Central do Espírito Santo (Lacen/ES) analisou 1.672 amostras no intervalo das semanas epidemiológicas 28 a 30. Dessas, 428 testaram positivo para o rinovírus, resultando em um índice de positividade de 25%. O percentual superou o de outros vírus como influenza, metapneumovírus e o vírus sincicial respiratório (VSR), tradicionalmente mais temidos.

Além da ampla circulação, o rinovírus foi identificado em um caso de óbito de uma criança com menos de quatro anos de idade, que apresentou codetecção com o VSR. O caso ainda está sob investigação.

Casos graves e impacto infantil

Embora o rinovírus costume causar sintomas leves, como coriza, espirros, tosse e dor de garganta, o atual cenário mostra que o vírus pode levar a quadros mais graves, principalmente em crianças pequenas, idosos e pessoas com comorbidades.

Segundo o boletim epidemiológico das síndromes gripais, o rinovírus esteve presente em metade dos casos graves de Síndrome Respiratória Aguda Grave (SRAG) registrados no período analisado. Isso acende um sinal de alerta para a vigilância de saúde e reforça a importância da prevenção, já que o vírus não possui vacina.

Alta transmissibilidade e cuidados essenciais

A médica Mariana Ribeiro Macedo, da Vigilância da Influenza e Meningites da Sesa, destaca que o rinovírus tem alta capacidade de transmissão. “Mesmo sendo geralmente associado a infecções brandas, o rinovírus é altamente contagioso. Em ambientes fechados e pouco ventilados, ele pode se espalhar rapidamente, atingindo principalmente crianças em idade escolar e idosos”, explicou.

Como não há vacina disponível, a prevenção continua sendo a principal arma contra o avanço do vírus. A especialista reforça que pessoas com sintomas gripais devem adotar medidas de proteção para evitar a disseminação da doença.

Entre as recomendações estão:

  • Lavar frequentemente as mãos com água e sabão ou usar álcool em gel;

  • Evitar tocar olhos, nariz e boca sem higienização prévia;

  • Utilizar máscara em caso de sintomas respiratórios;

  • Usar lenços descartáveis para higiene nasal e descartá-los corretamente;

  • Manter ambientes bem ventilados;

  • Evitar aglomerações e contatos próximos;

  • Não compartilhar objetos de uso pessoal, como copos e talheres;

  • Manter uma alimentação equilibrada e boa hidratação.

Monitoramento contínuo no estado

A Sesa realiza monitoramento contínuo da circulação de vírus respiratórios por meio do Informe Epidemiológico das Síndromes Gripais. O documento é atualizado semanalmente com dados coletados em unidades sentinelas e sistemas de vigilância, como o SIVEP-Gripe e o e-SUS Notifica.

O informe mais recente, com dados até o dia 26 de julho, aponta que o rinovírus se consolidou como o principal agente viral respiratório em circulação no Espírito Santo em 2025. Especialistas alertam que, apesar de ser frequentemente negligenciado, o vírus merece atenção, sobretudo por seus efeitos em crianças pequenas, grupo que tem se mostrado especialmente vulnerável.

A população é orientada a procurar atendimento médico em caso de agravamento dos sintomas ou persistência de febre, falta de ar, cansaço extremo e sinais de desidratação — principalmente em crianças, idosos e pessoas com doenças crônicas.

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