Estética Mente Saudável

2025: o ano em que o Brasil enterrou mulheres vivas e fingiu não ver

Não é exceção. É um massacre diário. Até quando você vai fechar os olhos?
Esta coluna contém relatos, dados e reflexões profundas sobre violência contra a mulher.
Se você não estiver disposto a enxergar, acolher e se responsabilizar, talvez não esteja pronto para continuar.
Por Dra. Elisângela Cozzer
Especialista em Saúde Pública, Urgência e Emergência,
Estética Avançada e Dermatológica,
Referência em Estética Humanizada, Tricologia e Laser
“No lugar errado, mesmo entregando o seu melhor, nada será suficiente.
No lugar certo, só de estar ali, a sua presença será celebrada.”
“Nós, mulheres, pensamos com o coração, agimos pela intuição e criamos com a alma.”
— Coco Chanel
Escrevo como colunista, mas, acima de tudo, como profissional da saúde.
Atuo na estética avançada e dermatológica, mas meu trabalho nunca foi apenas pele, cabelo ou procedimentos. Meu trabalho sempre foi gente. Corpo, mente, emoções e história.
Porque não existe estética possível quando a alma está em ruínas.
A violência doméstica é real. Ela acontece todos os dias.
E não é só física. Ela é emocional, psicológica, moral, patrimonial, social e profissional.
Os números escancaram a tragédia:
•2024: 1.492 mulheres assassinadas — 4 por dia
•2025 (1º semestre): 718 feminicídios — a mesma média diária
•63,6% das vítimas eram mulheres negras
•70,5% tinham entre 18 e 44 anos
•8 em cada 10 foram mortas por companheiros ou ex-companheiros
•64,3% morreram dentro de casa
Isso não é estatística.
São mulheres que foram enterradas vivas pela violência e pela omissão.
Quando a vítima perde a voz, o corpo fala.
E quem trabalha com saúde aprende a escutar.
TRICOLOGIA: QUANDO O COURO CABELUDO DENUNCIA O QUE A BOCA NÃO CONSEGUE DIZER
Atendo diariamente mulheres com ALOPECIA CICATRICIAL (doença autoimune).
Nessa condição, o folículo piloso morre de forma definitiva. Estresse crônico, trauma emocional, medo contínuo e convivência prolongada com violência são gatilhos comprovados.
Não é vaidade.
É o corpo adoecendo porque a mulher sobrevive em estado de alerta.
PELE: O ESPELHO DA DOR SILENCIOSA
Na dermatologia estética, vejo MELASMAS resistentes, inflamações persistentes, envelhecimento precoce.
Muitas vezes, a raiz não está no sol, mas no cortisol elevado, na ansiedade crônica, no medo diário de quem vive pisando em ovos dentro de casa.
Ansiedade. Depressão. Fibromialgia. Lúpus.
O corpo não esquece o que a mulher foi obrigada a suportar.
E existe algo que precisa ser dito com todas as letras:
POR QUE A MULHER PROCURA PRIMEIRO A FAMÍLIA E OS AMIGOS DELE?
Ela não procura os seus.
Porque sabe que os dela vão protegê-la, tirá-la dali, romper o casamento.
Mas ela ama.
Ela acredita no pacto que firmou.
Ela quer salvar a relação.
Por isso, ela procura a família dele — pai, mãe, irmãos.
Depois, os amigos dele, padrinhos, líderes religiosos, pessoas do convívio.
Ela faz isso na esperança de que alguém o ajude a melhorar, a mudar o comportamento, a corrigir o erro.
Ela não quer punição naquele momento. Ela quer transformação.
Aqui cabe uma verdade dura:
Cada um só oferece aquilo que tem dentro de si.
Muitas mulheres permanecem anos, décadas, na violência esperando acolhimento de quem nunca aprendeu a acolher.
Quando essa ajuda é negada, desacreditada ou ignorada, a violência escala.
E quem vira as costas compactua com o crime.
Quando essa mulher denuncia, a sociedade falha novamente.
Ela vira exagerada. Louca. Instável.
Sua dor é patologizada.
Enquanto isso, o agressor é defendido, relativizado, protegido.
Em vez de abraçar a vítima, a sociedade protege o agressor.
O PACTO BÍBLICO QUE FOI QUEBRADO
A Bíblia é clara:
“Por isso, o homem deixará pai e mãe e se unirá à sua mulher, e os dois se tornarão uma só carne.”
(Gênesis 2:24)
Quando um homem agride sua esposa, ele agride a si mesmo.
Ele quebra um juramento sagrado.
Ele profana um pacto espiritual.
Não é apenas crime.
É pecado mortal.
No Espírito Santo, um avanço importante foi a lei do deputado estadual Coronel Weliton, que garante isenção da taxa de inscrição em concursos públicos para mulheres vítimas de violência doméstica, promovendo autonomia e dignidade.
Enquanto não existir pena exemplar, enquanto esses monstros não apodrecerem atrás das grades, os feminicídios continuarão.
Escrevo com dor, porque pode ser qualquer uma de nós.
Quando uma mulher é mutilada, todas somos mutiladas.
Alguns homens só mantêm a reputação intacta às custas do silêncio de uma mulher.
E não é silêncio de um dia.
É silêncio de uma vida inteira.
Maldito é o homem que sai da barriga de uma mulher e machuca ela.
Conclusão — Reflexão desta colunista
Um diamante continua sendo diamante, mesmo quando passa por um lapeador diamântico errado.
A lapidação pode ter sido cruel.
Mas a essência permanece.
Demore o tempo que precisar, mas se coloque de pé.
Remende as feridas. Faça os curativos necessários.
Viva. Sobreviva. Rompa o ciclo.
Seja o exemplo para sua filha, sua neta, outras mulheres.
Mesmo com lágrimas nos olhos, levante-se e diga:
está tudo bem. Somos frutos de um processo evolutivo.
📞 Violência contra a mulher é crime.
Ligue 180 ou 190.
Não feche os olhos.
Quem fecha os olhos, se torna cúmplice.
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Dra. Elisângela Cozzer
Especialista em Saúde, Estética Avançada e Dermatológica,
Tricologia e Laser

“A opinião deste colunista não reflete, necessariamente, a opinião da RedeTV! Espírito Santo.”

Estética Mente Saudável é um espaço onde ciência, beleza e bem-estar se encontram para orientar, inspirar e transformar. Nesta coluna, a estética é tratada como parte da saúde integral — uma ponte entre autocuidado, equilíbrio e qualidade de vida, sempre com informação confiável e responsabilidade profissional.

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