Na coluna do dia 31/12/2025 dissemos que dedicaríamos uma específica sobre o champanhe para esclarecer as dúvidas que ainda pairam sobre o termo: champanhe ou espumante?
Vamos lá. O champanhe é um vinho branco gaseificado, produzido a partir de três uvas: duas tintas; a Pinot Noir e a Pinot Meunier e a branca Chardonnay. Bem, cabe aqui mais uma explicação: Por que o champanhe é um vinho branco elaborado com duas uvas tintas? Porque antes da prensagem das uvas as cascas são retiradas. Se observarmos, a cor da polpa da uva é branco-pérola, portanto, este é o motivo de o champanhe ser chamado de vinho branco. Então, a partir do ano de 1927, somente os espumantes produzidos na região Nordeste da França, em Champagne, poderiam ter esta denominação, mesmo que em outros países fosse utilizado o mesmo método, o champegnoise tradicional ou clássico na produção do espumante, mesmo assim não poderiam mas constar em seus rótulos o termo champanhe, ou seja, todo champanhe é um vinho branco efervescente, mas nem todo espumante é um champanhe.
É atribuído a Dom Pérignon (1638 – 1715) monge francês beneditino, responsável pela adega da abadia, ou seja, pela produção dos vinhos, a descoberta, por acaso, do método da vinificação dos vinhos efervescentes. Procurando desenvolver uma técnica mais eficiente para lacrar as garrafas de vinho, o monge beneditino, teve a ideia de derreter cera de abelha no gargalo das garrafas. Com essa técnica, assegurava uma perfeita vedação. Algumas semanas se passaram para que a maioria das garrafas estocadas na adega explodissem, deixando o monge perplexo. Algum tempo foi necessário para que ele descobrisse que o açúcar contido na cera de abelha, em contado com o vinho, tinha provocado uma segunda fermentação dentro da garrafa. Àquela época as garrafas não tinham uma parede de vidro espessa como as de hoje, incapazes de resistirem à pressão do CO2 (dióxido de carbono ou gás carbônico), fruto da transformação dos açúcares residuais da cera de abelha com das uvas. Há males que vêm para o bem. Talvez se não fosse essa feliz “má sorte”, Dom Pérignon, não teria descoberto o método champegnoise, ou seja, a descoberta do champanhe.
Os espumantes são classificados conforme a concentração de açúcar. A quantidade que determinará se o espumante de método champegnoise será Brut Nature (3 g/l), Extra-Brut (até 6 g/l), Brut (menos de 12 g/l), Extra-Sec (entre 12 e 17 g/l), Sec (entre 17 e 32 g/l), Demi Sec (entre 32 e 50 g/l) ou Doux (mais de 50 g/l).
Há quem diga que o monge beneditino não tenha sido o descobridor do método natural, mas prefiro acreditar que tenha sido ele o mágico descobrir desse tipo de vinho efervescente que nos faz ver estrelas. Afinal, o famoso monge foi homenageado com seu nome em um dos melhores champanhes do mundo e com uma estátua de bronze em frente da renomada maison, Moet & Chandon, detentora da marca do famoso e celebrado champanhe, Dom Pérignon.
Beba com moderação. Até a próxima semana.
