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⁠Uvas & Vinhos

Daktulosphaira Vitifoliae, a praga dos vinhedos.

Crédito foto: adobe stock

Já escrevi uma coluna em 2019 falando sobre este tema, mas a pedido de um amigo e leitor contumaz, resolvi reedita-la.

Foi em meados do século XIX que a Daktulosphaira Vitifoliae, nome científico da Filoxera, a praga dos vinhedos, que quase dizimou as videiras da Europa e por pouco não leva à falência os produtores de vinhos europeus.
Daktulosphaira: Vem da junção das palavras gregas daktylos (que significa “dedo”) e sphaira (que significa “esfera” ou “bola”). Juntas, fazem referência às pequenas galhas (bolhas) com formato de dedo que o inseto forma nas folhas da videira.
Vitifoliae: Vem do latim vitis (que significa “videira”) e folia (que significa “folha”), referindo-se literalmente às “folhas da videira”, que são o alvo principal do inseto na planta.

Foram poucos os lugares no mundo que não sofreram com o ataque da Filoxera, vocábulo usado para designar, tanto o inseto, quanto a doença dos vinhedos, como por exemplo: a região de Champagne na França, não sofreu o ataque dessa praga, permitindo que a produção dos mais cobiçados vinhos brancos de perlage contínua (de origem francesa – perle, que significa “pérola”), o champanhe francês fosse interrompida.

Enquanto não se encontrava uma solução para o extermínio da Filoxera, muitos vitivinicultores, desesperadamente, tentaram resolver o problema usando produtos químicos e pesticidas, mas tudo em vão. Então, com as insistências de alguns abnegados, descobriram que no Chile, país privilegiado por barreiras naturais como: Cordilheira dos Andes; oceano Pacífico; deserto do Atacama e as geleiras, criaram condições únicas, que podem explicar a razão pela qual a Filoxera não atacou os vinhedos ali cultivados. Então, os produtores de vinho europeus emigraram para o Novo Mundo para salvar e cultivar suas uvas e contribuíram sobre maneira para a expansão da cultura vitivinícola nesse distante país latino.

Assim, as uvas de origens francesas: Cabernet Sauvignon; Chardonnay; Malbec; Merlot; Pinot Noir; Sauvignon Blanc, encontraram em terras sul-americanas solo fértil para se reproduzirem e, principalmente, a Carménère, dada como extinta foi redescoberta no Chile em meados da década de 1990 pelo ampelógrafo, Jean-Michel Boursiquot. Então, no ano de 1994 pelas mãos do então enólogo, Álvaro Espinoza e do presidente da vinícola, Vina Carmen, Ricardo Claro, tomaram a decisão de produzir o primeiro vinho varietal da uva Carménère, tornando-se a uva emblemática do Chile, assim como a Malbec na Argentina.

Então, caros leitores e amigo, Cézar Manhães, em sua próxima degustação, brinde a esses visionários senhores que não permitiram que a Filoxera, a praga dos vinhedos, nos tirasse o prazer de apreciar os vinhos produzidos mundo afora a partir dessas maravilhosas castas.

Até a próxima semana, mas lembre-se: Se beber não dirija.

“A opinião deste colunista não reflete, necessariamente, a opinião da RedeTV! Espírito Santo.”

Publicitário; cursou Artes Plásticas na UFES; Enófilo, escreve sobre vinhos desde2010. Já escreveu sobre o tema em vários veículos de comunicação: revista SIM; jornais Em Pauta, O Ponto; Século Diário (jornal online); MovNews (jornal online). Assessor de Comunicação da PMV de 1994 a 2002; Assessor Técnico da Imprensa Oficial do ES de 2003 a 2019.

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