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⁠Uvas & Vinhos

Foral de Évora: quando a história de uma cidade se transforma em vinho.

Há vinhos que encantam pelo aroma, outros pela elegância e alguns pela história que carregam em cada garrafa. O Foral de Évora pertence a esta última categoria. Mais do que um grande vinho alentejano, ele representa um encontro entre a tradição vitivinícola portuguesa e um dos mais importantes documentos da história de Portugal: o Foral concedido à cidade de Évora por D. Manuel I, décimo quarto rei de Portugal, em 1501.

Os forais eram cartas régias que estabeleciam direitos, deveres, privilégios e a organização administrativa dos municípios portugueses. O Foral Manuelino de Évora consolidou a importância política, econômica e social da cidade, que já despontava como um dos principais centros do reino. Naquela época, a cultura da vinha e a produção de vinho já faziam parte da identidade da região, atividade que atravessaria séculos até transformar o Alentejo em uma das mais prestigiadas regiões vitivinícolas do mundo. 

Inspirada por esse legado, a Adega Cartuxa, da Fundação Eugénio de Almeida, lançou, no ano 2000, o vinho Foral de Évora, uma homenagem ao documento que marcou a história da cidade. Elaborado com as tradicionais castas alentejanas Trincadeira, Aragonez e Alicante Bouschet, o vinho traduz a personalidade da região: estrutura, elegância, fruta madura e excelente potencial de evolução, características que refletem a riqueza dos solos e do clima de Évora. 

Entre todas as colheitas, uma ganhou significado especial. A safra comemorativa de 2001 foi criada para celebrar os 500 anos do Foral Manuelino de Évora, assinado por D. Manuel I em 1501. Mais do que uma edição especial, esse vinho tornou-se um verdadeiro símbolo da memória histórica portuguesa, unindo patrimônio, cultura e enologia em uma única garrafa. 

Ao degustar um Foral de Évora, não se aprecia apenas um grande vinho do Alentejo. Cada taça conta uma história iniciada há mais de cinco séculos, quando um rei escreveu, em pergaminho, parte do destino de uma cidade. Hoje, essa mesma história continua viva, agora escrita também nas vinhas, nas adegas e no prazer de brindar à tradição.

No Foral de Évora, história e vinho caminham lado a lado. O documento perpetuou a identidade de uma cidade; o vinho perpetua sua alma. Afinal, poucos rótulos conseguem reunir, com tanta autenticidade, a força de um patrimônio histórico e a excelência da vitivinicultura portuguesa.

O vinho Foral de Évora, geralmente, tem estagio de cerca de 12 meses em barricas novas de carvalho francês e americano e 15 meses em garrafa. Com seus 14,5% te teor alcoólico, recomenda-se servi-lo a temperatura entre 16 e 18 graus. Agora só nos resta escolher um prato à base de bacalhau para harmonizar com esse vinho que é produzido há mais de 5 séculos.

Até a próxima semana, mas lembre-se: bebida alcoólica e direção jamais se combina.

“A opinião deste colunista não reflete, necessariamente, a opinião da RedeTV! Espírito Santo.”

Publicitário; cursou Artes Plásticas na UFES; Enófilo, escreve sobre vinhos desde2010. Já escreveu sobre o tema em vários veículos de comunicação: revista SIM; jornais Em Pauta, O Ponto; Século Diário (jornal online); MovNews (jornal online). Assessor de Comunicação da PMV de 1994 a 2002; Assessor Técnico da Imprensa Oficial do ES de 2003 a 2019.

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