A substância virou alvo de críticas, mas especialistas explicam o que é mito e o que é ciência quando o assunto é proteção da pele.
O protetor solar voltou ao centro de um debate que mistura desinformação, medo e recortes fora de contexto de estudos científicos. Nas redes sociais, circulam afirmações de que filtros solares fariam mal à saúde, causariam câncer, desregulariam hormônios ou impediriam a produção de vitamina D. Mas o que dizem, de fato, a ciência e as principais autoridades em saúde?
A resposta é clara: a exposição desprotegida à radiação ultravioleta (UV) é um fator de risco comprovado para o câncer de pele. Por esse motivo, instituições como a Associação Brasileira de Dermatologia (SBD), a Academia Americana de Dermatologia (AAD), o Instituto Nacional do Câncer (INCA) e a American Cancer Society recomendam o uso diário do protetor solar, independentemente da estação do ano.
Um dos pontos mais explorados nas polêmicas recentes envolve a oxobenzola, um filtro químico presente em alguns protetores solares. Estudos demonstraram que essa substância pode ser absorvida pela pele e detectada na corrente sanguínea. No entanto, é fundamental destacar: não há evidência científica robusta de que a oxobenzola cause câncer ou atue como desreguladora hormonal em humanos, quando utilizada dentro dos limites aprovados pelos órgãos reguladores. A própria Food and Drug Administration (FDA) esclareceu que a absorção não significa risco comprovado à saúde.
Outro mito recorrente é o de que o uso do protetor solar impediria a produção de vitamina D. As evidências mostram que isso não é verdade. Mesmo com fotoproteção, o organismo continua capaz de sintetizar a vitamina. A Associação Brasileira de Dermatologia orienta exposições solares breves e controladas, de 5 a 10 minutos por dia, em áreas menos expostas, como pernas ou tronco, justamente para equilibrar os benefícios do sol com a segurança da pele.
Além da prevenção do câncer de pele, o protetor solar é um dos principais aliados contra o envelhecimento precoce, ajudando a reduzir rugas, manchas e perda de elasticidade causadas pela exposição crônica aos raios UV. Seu uso deve ser associado a outras estratégias de proteção, como evitar os horários de sol mais intenso, usar chapéus, óculos, roupas adequadas e buscar sombra sempre que possível.
O sol é essencial à vida e traz benefícios físicos, emocionais e sociais. O problema nunca foi o sol — o problema é a exposição excessiva e sem proteção. Em um cenário de excesso de informação e fake news, seguir a ciência continua sendo a escolha mais segura para a saúde da pele.
Dra. Elisângela Moura Cozzer
Referência em saúde, estética, tricologia e laser
