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⁠Uvas & Vinhos

Um Brinde à Liberdade: a Independência dos Estados Unidos e o Vinho Português.

Todo dia 4 de julho, os Estados Unidos celebram sua independência, conquistada em 1776 após anos de tensões políticas e econômicas com a Inglaterra. Fogos de artifício, desfiles e brindes fazem parte das comemorações, mas poucos sabem que um vinho português está intimamente ligado ao nascimento da nação norte-americana.

Como estamos em plena Copa do Mundo da FIFA 2026, mais uma informação se faz necessária. O jogador de futebol, @Cristiano Ronaldo, da Seleção de Portugal nasceu na pequena Ilha da Madeira, uma encantadora ilha portuguesa no Atlântico, onde é produzido até os dias de hoje o vinho que tem tudo a ver com a independência dos Estados Unidos.

Naquele verão de 1776, os líderes das treze colônias reuniram-se na cidade de Filadélfia para aprovar a Declaração de Independência, documento cuja principal redação coube a Thomas Jefferson. Para celebrar o momento histórico, a bebida escolhida foi o célebre Vinho Madeira, produzido na magnífica Ilha da Madeira.

O Vinho Madeira já era extremamente popular entre os colonos americanos. Sua extraordinária capacidade de resistir às longas viagens marítimas e seu perfil aromático, marcado por notas de frutas secas, caramelo, especiarias e frutos cristalizados, fizeram dele um dos vinhos mais apreciados na América colonial. Além disso, por razões comerciais e tributárias, o Madeira tornou-se um símbolo de resistência às imposições da Coroa Britânica.

Conta a história que o brinde à independência foi realizado com um Madeira do estilo Malmsey (Malvasia), um dos mais nobres e doces vinhos produzidos na ilha portuguesa. Embora não exista um registro oficial da safra servida naquele dia, o fato de um vinho português ter acompanhado o nascimento dos Estados Unidos é uma das mais belas curiosidades da história do vinho.

A ligação de Thomas Jefferson com o mundo do vinho ia muito além daquele brinde. Considerado um dos primeiros grandes apreciadores e colecionadores de vinhos dos Estados Unidos, Jefferson ajudou a difundir a cultura do vinho entre a elite americana, defendendo a bebida como elemento de convivência, gastronomia e civilização.

Ao erguer uma taça de Vinho da Madeira neste 4 de julho, brindamos não apenas à independência de uma nação, mas também à capacidade que o vinho possui de atravessar fronteiras, conectar povos e eternizar momentos históricos. Lembrando sempre que a temperatura de serviço é muito importante: em se tratando de um vinho fortificado recomenda-se servir entre 13 e 14 graus.

Porque, às vezes, uma simples taça de vinho guarda em seu interior muito mais do que aromas e sabores: ela preserva a memória de acontecimentos que mudaram o mundo.

Até a próxima semana: mas se beber não dirija.

“A opinião deste colunista não reflete, necessariamente, a opinião da RedeTV! Espírito Santo.”

Publicitário; cursou Artes Plásticas na UFES; Enófilo, escreve sobre vinhos desde2010. Já escreveu sobre o tema em vários veículos de comunicação: revista SIM; jornais Em Pauta, O Ponto; Século Diário (jornal online); MovNews (jornal online). Assessor de Comunicação da PMV de 1994 a 2002; Assessor Técnico da Imprensa Oficial do ES de 2003 a 2019.

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