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Detentos de presídio no ES aprendem costura e produzem coelhos de pelúcia para doação solidária na Páscoa

No Centro de Detenção Provisória de Viana, na Região Metropolitana de Vitória, um grupo de detentos encontrou na costura uma oportunidade de transformar a realidade dentro do sistema prisional. Durante o período da Páscoa, os internos estão produzindo coelhos de pelúcia, que, ao serem finalizados, são doados a crianças em situação de vulnerabilidade social.

A ação integra um projeto de capacitação profissional promovido pelo Instituto Veredas, em parceria com a Secretaria de Estado da Justiça (Sejus), como parte da política de ressocialização dos apenados. Mais do que ensinar um novo ofício, a atividade tem sido uma ferramenta para promover autoestima, senso de propósito e perspectiva de futuro.

Edielson Dantas, que está preso há quatro anos, conta que nunca imaginou que um dia estaria envolvido em atividades como essa. “Nunca me imaginei de frente para uma máquina de costura. Via minha avó e minha mãe costurando, mas achava que eu nunca teria capacidade”, relatou.

Outro interno, que preferiu não ser identificado, revelou que aproveita sua experiência anterior como empresário do setor de confecções para auxiliar os colegas. Para ele, o processo é profundamente simbólico. “Eu penso na minha filha, como se estivesse fazendo para ela. Poder presentear com um ursinho que o pai fez é algo que me motiva. Penso em continuar nesse ramo quando sair daqui e, quem sabe, comercializar”, disse.

O curso tem carga horária de 120 horas, e todos os participantes recebem certificados ao final. A presidente do Instituto Veredas, Udimila Bitencourt, destaca que a capacitação é uma ferramenta de transformação social. “A finalidade do instituto é promover a ressocialização através da capacitação profissional, trazendo oportunidades reais para que esses internos possam reconstruir suas trajetórias de vida”, afirmou.

Além do aprendizado, o trabalho também contribui para a redução da pena: a cada três dias trabalhados, um dia é abatido da condenação, conforme prevê a legislação. Para o subsecretário de Estado de Ressocialização, Marcelo Gouvêa, esse tipo de iniciativa fortalece a reintegração dos apenados ao convívio social e econômico. “Capacitar esses internos com qualidade técnica e estética, com base nas orientações de um instituto qualificado, fortalece os negócios e abre caminhos para o empreendedorismo após o cumprimento da pena”, pontuou.

Os coelhos de pelúcia confeccionados serão doados durante uma ação especial promovida pelo projeto social FortaleSer, em Cariacica, e entregues a crianças em situação de vulnerabilidade.

Outra iniciativa de ressocialização semelhante ocorre no Centro Prisional Feminino de Colatina, no Noroeste do Estado, onde internas produzem milhares de peças de roupas íntimas e moda praia, como cuecas, calcinhas e tops. Elas participam de um curso profissionalizante de 160 horas em uma fábrica instalada dentro da unidade, como parte de um programa desenvolvido em parceria com a Secretaria Estadual da Ciência, Tecnologia, Inovação e Educação Profissional e o programa Mulheres Mil, do governo federal.

Esses projetos reafirmam o compromisso do Espírito Santo com a ressocialização e a construção de novas oportunidades dentro do sistema prisional, com foco na dignidade, na capacitação profissional e na redução da reincidência.

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