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O crescente antilulismo

O antilulismo cresce de forma constante no núcleo político nacional. Figuras emblemáticas, inclusive ex-ministros do próprio governo Lula, como Aldo Rebelo e Ciro Gomes, vêm apontando para o declínio do petista e para a necessidade de novas alternativas políticas.

Duas razões sustentam diretamente a queda na popularidade e na confiança no governo Lula. A primeira é de natureza política. Desde o episódio do impeachment de Dilma Rousseff, o Partido dos Trabalhadores perdeu espaço nos municípios brasileiros. Para se ter ideia, em 2016 o partido perdeu 60% das prefeituras que administrava, ficando com apenas uma capital: Salvador.

A comparação com 2012 é ainda mais expressiva. Naquele ano, o PT venceu em 638 cidades; em 2016, caiu para 254. Os despojos eleitorais do partido se dispersaram entre diversas siglas, sobretudo do campo conservador.

A crise petista se aprofundou em 2020, quando o número de prefeituras caiu ainda mais, de 256 para 182. Em 2024, houve uma leve recuperação, subindo para 252. No entanto, o partido não teve desempenho relevante nos grandes centros urbanos e nas cidades com mais de 200 mil habitantes, vencendo apenas em três. A única capital conquistada foi Fortaleza, em uma disputa acirrada no segundo turno: 50,38% contra 49,62%.

O segundo fator que pesa contra o governo é o econômico, talvez o mais dramático para os brasileiros. A equipe econômica de Lula bate cabeça e parece seguir errando o alvo: mira o mercado, mas acerta o trabalhador que enfrenta os altos preços nos supermercados. A sensação de quem faz compras com frequência é de incertezas e pânico, uma espécie de bomba inflacionária que vem derretendo os assalariados e reduzindo o poder de compra da classe média, um cenário que nos remete ao segundo mandato da ex-presidente Dilma Rousseff (2014).

Quando a política relacional do Executivo com o Congresso se fragiliza, todo o restante se desequilibra. A recente derrota do governo na votação do IOF expõe esse desgaste acelerado. A relação entre o Planalto e o Congresso caminha para um impasse irreversível. Entre os principais motivos de insatisfação está a tentativa do Executivo de atribuir ao Legislativo a culpa pelo possível aumento da conta de luz, após a derrubada de vetos relacionados ao marco das eólicas offshore, o que tem sido percebido como uma tentativa de rotular o Congresso como chantagista.

Enfim, essa é a lógica do cobertor curto e da promessa de guarda-chuvas em meio à tempestade. Lula e o PT patinam em narrativas que perdem força e credibilidade. E, com isso, o sentimento de antilulismo se intensifica, um sinal de alerta perigoso em ano pré-eleitoral.

O funil está cada vez mais estreito, os aliados estão se distanciando e mais uma vez é a população brasileira que paga o alto custo político dessa batalha de narrativas e imagens.

É natural de Vila Velha – ES, cidade onde reside. Graduado em Teologia e Ciências Políticas, com especialização em pesquisa, comunicação e estratégia política. Já atuou como secretário municipal de Gestão e Planejamento e como coordenador de comunicação parlamentar. Há quase duas décadas estuda e participa dos movimentos políticos do cenário nacional e do Estado do Espírito Santo, com análises e projeções.

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