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POLÍTICA: “FALSA DEMOCRACIA”

Na obra “A República”, Platão classificava a democracia como uma forma degenerada de governo. Para o filósofo, os regimes políticos que seguiam uma hierarquia, da “aristocracia” composta por sábios e filósofos, eram a forma ideal de administração pública.

Mas por que Platão era tão crítico em relação à democracia?

Vamos resumir alguns dos principais argumentos do filósofo:

1. Governo da maioria ignorante: Na visão de Platão, a democracia permite que pessoas sem o devido preparo tomem decisões políticas, o que abre caminho para o caos e a injustiça.

2. Liberdade sem limites: Ele advertia que o culto à liberdade absoluta pode gerar desordem e favorecer o surgimento de demagogos, líderes que manipulam o povo com promessas incumpríveis.

3. Degeneração rumo à tirania: Platão via a democracia como um regime instável, que facilmente se corrompe quando líderes populistas exploram os desejos das massas, culminando em um governo tirânico camuflado de participativo.

Nessa perspectiva, a democracia seria o reflexo de uma sociedade dominada por impulsos desordenados, na qual os interesses particulares se sobrepõem à busca pelo bem comum.

Em outra obra intitulada “O Político”, Platão compara o governante ideal a um “tecelão” capaz de entrelaçar as diferenças e harmonizar a sociedade. Já na democracia, segundo ele, o governo se assemelha a um navio conduzido por marinheiros inexperientes, cada um achando que pode comandar sem domínio e sem direção clara.

Dessa forma, Platão via a democracia como um modelo inferior de governo, que valorizava a igualdade e a liberdade em detrimento da virtude e do conhecimento. Sua crítica é um forte alerta sobre os riscos de se confiar o destino de uma nação à condução desinformada da maioria.

Sem defender regimes absolutos ou autoritários, é preciso reconhecer que a democracia moderna carece de profundos ajustes para romper com o ciclo vicioso que sufoca as tentativas de renovação política e destrói toda semente de mudança.

Infelizmente, grande parte das bases da democracia brasileira transformou-se em uma “oligarquia de interesses”, um modelo reprovado pelos sábios e que tem custado caro a toda sociedade.

Enfim, a falsa democracia é a pior inimiga da verdadeira liberdade!

É natural de Vila Velha – ES, cidade onde reside. Graduado em Teologia e Ciências Políticas, com especialização em pesquisa, comunicação e estratégia política. Já atuou como secretário municipal de Gestão e Planejamento e como coordenador de comunicação parlamentar. Há quase duas décadas estuda e participa dos movimentos políticos do cenário nacional e do Estado do Espírito Santo, com análises e projeções.

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