
A Prio, maior empresa independente de petróleo e gás do Brasil, iniciou o processo de perfuração dos poços no campo de Wahoo, localizado no Sul do Espírito Santo. A operação começou após a liberação das licenças ambientais pelo Instituto Brasileiro do Meio Ambiente e dos Recursos Naturais Renováveis (Ibama). A expectativa é que a produção do primeiro óleo ocorra em 2026.
Ao todo, estão previstas seis perfurações: quatro poços produtores e dois injetores. O trabalho está sendo realizado pela sonda Hunter Queen, equipamento com mais de 100 metros de altura, que já atuou no Golfo do México e na África, e está no Brasil desde 2022.
Após meses de atraso, a licença de perfuração foi concedida em fevereiro deste ano. De acordo com a Prio, o projeto poderá gerar mais de R$ 4 bilhões em royalties para o Espírito Santo nos primeiros anos de operação.
Este é o primeiro campo perfurado do zero pela petroleira carioca, que tradicionalmente atua na exploração de campos maduros na Bacia de Campos. A Hunter Queen, responsável pela perfuração, opera com uma tripulação de cerca de 200 pessoas e é capaz de perfurar até 3 mil metros de lâmina d’água e poços com profundidade de até 10 mil metros — o equivalente à altura de 300 prédios de 13 andares.
“A Hunter Queen é um equipamento estratégico para os nossos objetivos. Desde a sua aquisição, vínhamos nos preparando para Wahoo”, destacou Leonardo Moreno, gerente de sondas da Prio.
De acordo com a empresa, o solo em Wahoo apresenta complexidades, com áreas que permitem avanço mais rápido e outras que demandam maior cautela. Até o momento, cerca de 20% da perfuração foi concluída, dentro do cronograma previsto.
Além da eficiência operacional, o uso da própria sonda representa uma vantagem competitiva para a Prio, que evita custos com a terceirização do serviço e garante maior segurança para os colaboradores, utilizando tecnologias modernas e sustentáveis.
Próximos passos
A perfuração é a etapa inicial do desenvolvimento de Wahoo. A Prio ainda aguarda a licença ambiental para a instalação de dutos submarinos que irão interligar o campo ao de Frade, em um sistema conhecido como tieback. O investimento total no projeto está estimado em cerca de R$ 5 bilhões.
O tieback terá aproximadamente 30 quilômetros de extensão e conectará Wahoo ao FPSO Frade, unidade flutuante de produção com capacidade para processar até 100 mil barris de petróleo por dia.
O campo de Wahoo foi adquirido pela Prio em março de 2021 e teve sua comercialidade declarada em dezembro do mesmo ano, após estudos de viabilidade. Embora poços exploratórios já comprovassem a presença de petróleo, a operadora anterior não desenvolveu a infraestrutura necessária para a produção.
O projeto marca uma nova fase da companhia, que passa a atuar também no desenvolvimento completo de campos petrolíferos, consolidando sua posição no setor de óleo e gás do país.





