Motoristas que dependem do carro para visitar hospitais, shoppings, aeroporto ou rodoviária enfrentam uma dificuldade recorrente: a falta de alternativas além dos estacionamentos privados, cujos valores têm gerado forte insatisfação entre os usuários.
As principais reclamações vêm de quem precisa utilizar estacionamentos de hospitais. No Hospital Vila Velha, a tarifa é de R$ 8 pela primeira hora e mais R$ 4 por cada hora adicional. Já num hospital particular localizado em Vitória, a cobrança inicial é de R$ 9, também acrescida de R$ 4 por hora extra.
Pacientes e familiares relatam que, além da preocupação com a saúde, ainda precisam lidar com custos considerados altos. “Ontem eu paguei R$ 34, hoje mais R$ 25. E você já está com a cabeça louca porque tem um parente doente. Acho muito alto”, reclamou o vendedor, Roger Lúcio. Já o enfermeiro Kleisson Fraga acrescentou: “É um absurdo. Se você tem como comprovar que está prestando um serviço ou usando um serviço do estabelecimento, tinha que ser isento”.
Em shoppings, a situação também incomoda. Em um deles, o estabelecimento cobra R$ 7 pela primeira hora e mais R$ 2 a cada 30 minutos adicionais. A biomédica Rejany Caetano, contou que precisou desembolsar R$ 24,50 em apenas uma tarde: “Fui fazer um exame e foi demorado na clínica. É um absurdo porque não fui nem a passeio”.
No aeroporto de Vitória, o preço também é alvo de críticas. A tarifa inicial é de R$ 22 por até quatro horas.
De acordo com a legislação, estabelecimentos comerciais têm liberdade para definir o valor da cobrança de estacionamentos. No entanto, segundo especialistas em direito do consumidor, não é permitido se aproveitar da vulnerabilidade do cliente para obter vantagens excessivas, conforme estabelece o artigo 39, inciso V, do Código de Defesa do Consumidor (CDC).
“Cobrar pelo estacionamento por si não é ilegal, porém, exigir do consumidor vantagem manifestadamente excessiva, entendemos que há ilegalidade”, explicou o advogado Gabriel Carlete.
Quem se sentir lesado pode procurar o Procon Estadual ou Municipal para registrar reclamação. Caso não haja solução administrativa, é possível recorrer à Justiça com apoio de um advogado especializado em direito do consumidor, pedindo reparação material ou moral.
A orientação dos especialistas é clara: o consumidor não deve aceitar passivamente cobranças consideradas abusivas e tem direito de questionar judicialmente os valores aplicados.





