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Um motorista de 32 anos foi preso em flagrante suspeito de simular o roubo de uma carga de eletrodomésticos avaliada em R$ 500 mil, em Guarapari. De acordo com a Polícia Civil, ele foi autuado enquanto registrava o boletim de ocorrência na delegacia. O caso, segundo a corporação, representa um novo tipo de crime conhecido como “Chave na Mão”, no qual o próprio condutor participa do furto.
O crime aconteceu em 14 de outubro, durante o trajeto entre Viana e São Paulo, mas os detalhes foram revelados apenas nesta quarta-feira (29), em coletiva de imprensa. O motorista foi autuado por furto qualificado e falsa comunicação de crime.
Segundo o delegado Gabriel Monteiro, chefe do Departamento Especializado de Investigações Criminais (Deic), o esquema consiste em cooptar motoristas para simular o roubo das cargas.
“Antigamente, os criminosos interceptavam os caminhões armados e roubavam as mercadorias. Agora, eles perceberam que é mais fácil convencer o próprio motorista a participar, oferecendo uma vantagem financeira para que ele simule o crime”, explicou o delegado.
Passo a passo do crime
De acordo com as investigações, o motorista havia solicitado ao gerenciador de risco da transportadora autorização para dormir em um posto, mas o pedido foi negado. Foi orientado a parar somente em um ponto autorizado em Guarapari. Por volta das 3h da manhã, o sistema da empresa registrou uma violação no lacre do baú.
A equipe tentou contato com o condutor, sem sucesso, e enviou funcionários ao local. “Eles o encontraram dormindo dentro do caminhão. Ao ser questionado, disse que estava tudo bem e que seguiria viagem normalmente”, contou Monteiro.
Mesmo com a justificativa, os fiscais notaram sinais de violação e pediram o retorno do veículo para Viana. Ao abrirem o baú na garagem, os funcionários descobriram que todos os eletrodomésticos haviam sido furtados.
Diante da descoberta, o motorista mudou a versão dos fatos e afirmou ter sido vítima de um assalto à mão armada, mas a contradição levantou suspeitas. Após a análise das provas e inconsistências no relato, a Polícia Civil confirmou que ele havia participado do crime.
O motorista permanece à disposição da Justiça, e as investigações seguem para identificar outros envolvidos no esquema criminoso.





