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Remédio levado de helicóptero ajuda a salvar trabalhador após infarto em área rural do ES

Créditos: Notaer

Um trabalhador rural que sofreu uma parada cardíaca em uma área de difícil acesso, na zona rural de Viana, na Grande Vitória, recebeu atendimento médico decisivo de forma incomum no último domingo (17). O medicamento responsável por reverter o quadro clínico foi transportado de helicóptero por uma equipe do Núcleo de Operações e Transporte Aéreo, garantindo rapidez no socorro e aumentando as chances de sobrevivência do paciente.

O homem começou a apresentar fortes dores no peito e mal-estar após esforço físico, sintomas compatíveis com infarto agudo do miocárdio. Inicialmente, ele foi atendido por uma equipe do Serviço de Atendimento Móvel de Urgência, mas, durante o atendimento, entrou em parada cardíaca.

Os profissionais iniciaram imediatamente manobras de reanimação cardiopulmonar e aplicação de choques elétricos. Diante da gravidade do caso e da dificuldade de deslocamento terrestre até a região, o Notaer foi acionado para prestar suporte especializado.

A bordo da aeronave, a equipe transportou o medicamento Alteplase, utilizado em situações específicas para dissolução de coágulos sanguíneos e reversão de quadros graves relacionados ao infarto e ao acidente vascular cerebral isquêmico.

Segundo os socorristas, o trabalhador respondeu positivamente à medicação ainda no local do atendimento. Após a administração do remédio, ele recuperou a consciência, voltou a movimentar os quatro membros e apresentou resposta ocular.

Na sequência, o paciente foi levado de helicóptero ao Hospital Evangélico de Vila Velha, unidade de referência no tratamento de casos cardiovasculares graves no Espírito Santo.

Uso raro e decisivo da medicação

De acordo com a Secretaria de Estado da Saúde do Espírito Santo, a Alteplase é um trombolítico utilizado para dissolver coágulos em casos específicos de infarto agudo do miocárdio e acidente vascular cerebral isquêmico, especialmente quando o paciente não consegue chegar rapidamente a um hospital com estrutura para hemodinâmica, como o cateterismo cardíaco.

O cardiologista Henrique Bonaldi explicou que o medicamento atua na desobstrução de artérias bloqueadas, permitindo o restabelecimento do fluxo sanguíneo.

“Em grandes centros, fazemos o cateterismo para achar a artéria e desobstruir. Mas, em situações mais remotas, ela faz esse papel muito bem”, afirmou o especialista.

Segundo a equipe médica do Notaer, o sucesso da utilização do medicamento em um cenário como esse é considerado raro e chama atenção pela complexidade e pela eficiência da resposta clínica do paciente.

“Tempo é músculo”

Especialistas destacam que a rapidez no atendimento é determinante em casos de infarto. Na cardiologia, existe uma máxima amplamente utilizada: “tempo é músculo”, em referência ao risco de perda progressiva do tecido cardíaco à medida que o fluxo sanguíneo permanece interrompido.

A Sesa reforçou que a administração precoce da Alteplase no atendimento pré-hospitalar pode ser decisiva para salvar vidas, principalmente em locais remotos, desde que haja confirmação diagnóstica e avaliação rigorosa das contraindicações, como risco elevado de sangramento.

Embora esteja disponível no Sistema Único de Saúde (SUS), o uso do medicamento em atendimentos fora do ambiente hospitalar não é rotina em todos os serviços, já que depende de equipes capacitadas, estrutura adequada e protocolos clínicos específicos.

Até a publicação da ocorrência, não havia informações atualizadas sobre o estado de saúde do trabalhador rural após a internação.

Fonte: Agência Estadão

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