Pesquisadores da Universidade Federal do Espírito Santo (Ufes), estão desenvolvendo um estudo inédito no Brasil que pode transformar a forma como doenças são identificadas: o uso do olfato de cães no auxílio ao diagnóstico precoce de enfermidades como câncer e tuberculose.
Batizada de Projeto Xero, a iniciativa recruta cães de médio e grande porte para treinar os animais a reconhecer, por meio do olfato, sinais químicos presentes em amostras biológicas humanas. A proposta é que os cães atuem na identificação de padrões associados a doenças, a partir de compostos que não são perceptíveis ao ser humano.
Segundo os pesquisadores, o grupo trabalha há anos no desenvolvimento de novos métodos diagnósticos, que tradicionalmente buscam identificar moléculas ou células específicas. A pesquisa, no entanto, avança para um novo conceito chamado “detecção de padrões”, no qual múltiplos sinais são analisados em conjunto.
Nesse contexto, os cães entram como aliados naturais. De acordo com os especialistas envolvidos, os animais possuem capacidade olfativa muito superior à humana, com dezenas a centenas de milhões de receptores, o que lhes permite captar pequenas variações químicas em amostras biológicas.
O treinamento dos cães é realizado com reforço positivo. Os animais são expostos a amostras de pessoas saudáveis e de pacientes com doenças diagnosticadas. Quando identificam corretamente uma amostra associada a doença, recebem recompensa. O processo é repetido de forma contínua até que o animal estabeleça a associação correta entre o odor e o estímulo.
O método é conduzido em ambiente controlado e com segurança para os animais, segundo os responsáveis pelo estudo. A expectativa é que, com o avanço do treinamento, os cães consigam reconhecer padrões de doenças com maior precisão.
Os pesquisadores destacam ainda a importância do diagnóstico precoce em doenças como câncer e enfermidades cardiovasculares, apontando que a identificação antecipada pode melhorar significativamente o desfecho clínico dos pacientes.
A participação de tutores é voluntária e gratuita, e o projeto tem previsão de desenvolvimento ao longo dos próximos quatro anos. Caso os resultados sejam positivos, a iniciativa pode abrir caminho para novas formas de diagnóstico mais rápidas, simples e de menor custo.
A pesquisa reforça o potencial dos cães não apenas como animais de companhia, mas também como possíveis aliados da ciência na detecção precoce de doenças, ampliando as possibilidades da medicina diagnóstica no futuro.





